Entrevista: Felipe Goes e Nicole Jüttner falam sobre a exposição “Aos cuidados de…”

Por Monica Rizzolli

Até 29 de junho a mostra coletiva, “Ab nach São Paulo Aos cuidados de Kassel”, ocupa os espaços de arte Coletivo 2E1 (São Paulo, Brasil) e TOKONOMA (Kassel, Alemanha). Nesta exposição, 10 artistas apresentam trabalhos inéditos produzidos exclusivamente para o projeto. Na entrevista abaixo, os artistas Felipe Goes e Nicole Jüttner falam sobre seu processo criativo e sobre sua participação na mostra.

Por que você decidiu participar do projeto “Ab nach São Paulo Aos cuidados de Kassel”?

Felipe Goes – O projeto pareceu desde o inicio uma ótima oportunidade para interagir com outros artistas e realidades diferentes do meu dia a dia. Achei que seria o momento de implantar um projeto que estava elaborando desde o período de residência no Instituto Sacatar (Itaparica-Bahia) em 2012 e ao mesmo tempo entrar em contato com algo inesperado, trazer um ruído externo à minha produção.

Nicole Jüttner – Eu resolvi aplicar-me para esse projeto, porque ele apresentava um desafio: discutir, ou melhor, cooperar com alguém de outro continente, com outra cultura e língua.

Trabalho apresentado por Nicole Jüttner no Tokonoma

Quem foi seu parceiro/a de trabalho? Nos fale um pouco sobre o relacionamento de vocês.

Felipe Goes – Trabalhei com a Nicole Juttner, uma artista muito talentosa e aberta à discussão. Tivemos uma negociação no inicio do projeto para definir como seria nosso processo de trabalho e sobre as maneiras de materializar esse processo na exposição simultânea que ocorreria em Kassel e São Paulo.

Trocamos um breve texto. Eu descrevi um fim de tarde em Itaparica e a Nicole enviou a descrição de um dia em Kassel. A ideia era que o outro realizasse uma serie de desenhos baseados nessas descrições com a produção de imagens através da memória e imaginação.

Nicole Jüttner – Eu trabalhei com o Felipe Goes. Apesar das dificuldades linguísticas, nós descobrimos rapidamente uma forma fácil para falar sobre materiais, seus significados e alternativas de trabalho. Felipe está a 8525,981 km daqui e nós não notamos a distância.

Quais foram os maiores desafios do projeto?

Felipe Goes – O grande desafio em um projeto como esse é a comunicação à distancia. Essa dificuldade, porém, abre muitas possibilidades interessantes. No nosso caso houve uma apropriação da distancia física e cultural, desse ruído de comunicação. Criamos justamente em cima dessa dificuldade de compreender o significado de palavras, da aparência dos locais e da paisagem.

Nicole Jüttner – Primeiro eu pensei que meu inglês ruim seria o maior desafio. Mas rapidamente o tempo tornou-se o problema. Eu estava absorta em minha idéias para a história de Felipe sobre Itaparica e em um curto período de tempo eu não poderia fazer jus a ilha, eu poderia somente esboçar algumas idéias sobre ela.

Trabalho apresentado por Felipe Goes, no 2E1

Como você avalia o resultado final?

Felipe Goes – Gosto de pensar que esse foi apenas o começo. Assim, nessa primeira fase fizemos a exposição simultânea de trabalhos realizados durante o projeto. Espero mais reverberações dessa troca que ocorreu. Acredito de seja possível pensar na continuação dessa troca, na realização de outras mostras e projetos com base nesse contato que se solidificou entre os artistas.

Nicole Jüttner – Eu aprendi muito e perdi várias travas. Através da tarefa temática lançada pelo Felipe eu descobri novas faces do meu trabalho gráfico e eu espero explorar mais isso no futuro.

Você pretende manter contato com seu parceiro/a?

Felipe Goes – Com certeza.

Nicole Jüttner – Sim, com certeza.

Trabalho de Felipe Goes, na fachada do 2E1
Este conteúdo foi publicado originalmente por Monica Rizzolli no 2e1.

New York Close Up

Quer conhecer um pouco da realidade de um artista em início de carreira em uma cidade como Nova York? Então, ligue-se na série New York Close Up.

Esta é uma série documentário da Art21. Cada micro episódio é dedicado a um artista na primeira década de sua carreira profissional, vivendo e trabalhando em Nova York. Este projeto inovador fornece um olhar intimista sobre a próxima geração de artistas americanos.

Nos vídeos os artistas servem como guias informais. A série capta as realidades de vida e de trabalho na cidade, com: casas e estúdios, performances ao vivo, exposições, residências, emprego, vida noturna e cenas sociais. Os filmes exploram temas de colaboração, responsabilidade, a autobiografia, história e política. Histórias são contadas através de uma variedade de gêneros cinematográficos e estilos.

New York Close Up capta aspectos raramente documentados do processo criativo e narra a experiência de ser um “jovem” artista em Nova York. Como a conversa se desenrola, a cada ano a série irá adicionar 8 à 12 artistas para lista do projeto. Com o tempo, os artistas de renome e sua extensa rede de amigos, familiares, colegas, curadores e galeristas irá espelhar as qualidades dinâmicas, multiculturais que fazem de Nova York um motor criativo e destino internacional. Na sua essência, a série pretende ser um instantâneo de um local e hora determinados a partir da perspectiva única de uma geração de artistas.

Imagem destacada: Still do episódio Mika Rottenberg and the Amazing Invention Factory

Este conteúdo foi publicado originalmente por 2e1.