Esta foi uma semana dedicada à “arte instrucional” por aqui.

Explico.

Faz algum tempo tenho tido uma super vontade de pedir para minhas alunas, de um dos grupos de acompanhamento da Uncool,  para que façam um trabalho colaborativo comigo baseado no texto o Espectador Emancipado do Jacques Rancière. E esta semana eu dei o “start” dessa “lição de casa” pra turma.

Também, andei testando “de leve” o uso do Instagram para pedir a artistas, que seguem a Uncool por lá, que realizassem e demandassem certos “desafios” para performarmos no stories… Quem viu, viu.

Somado a isso, por conta de uma exposição no Harlem, que visitei na semana a convite de uma amiga que conhece bem minha pesquisa poética*, me deparei com um Sol LeWitt “relacional” assim como com outros trabalhos que eu já conhecia nessa linha numa galeria de arte dentro de uma escola. Essa era a realização do famoso projeto “Do it” que o curador Hans Ulrich Obrist criou em parceria com os artistas coautores Bertrand Lavier e Christian Boltanski.

O que é “Do It”? É “Faça”, “Faça isso”.
Neste caso, em específico é chamar qualquer pessoa, em qualquer lugar a executar um trabalho de arte ela mesma a partir das instruções dadas por um artista. Instruções essas cujo resultado é aberto, mais ou menos indefinido a depender do que o artista propor.

No Harlem, tratava-se do “do it (in school)” produzido pela ICI e SIAS NYC e acolhido pela Hunter East Gallery, onde quem produziu as obras foram alunos de “high school” de 5 escolas diferentes em um projeto curricular de arte-educação.

Imagem que fiz durante a visita à mostra no Harlem.

O trabalho-instrução do Sol LeWitt era “A black not straight line is drawn at approximately the center of the wall horizontally from side to side. Alternate red, yellow and blue line are drawn above and below the black line to the top and bottom of the wall” (Uma linha não reta preta é desenhada aproximadamente no centro da parede horizontalmente de um lado para o outro. Linhas vermelhas, amarelas e azuis alternadas são desenhadas acima e abaixo da linha preta na parte superior e inferior da parede)… Sim! Esse é o título da obra e também a própria instrução.

Aqui uma das versões do trabalho do Sol LeWitt.

No vídeo transmitido ao vivo, no domingo (21/04), explico todo esse projeto desde sua criação em 1993 até chegar nessa mais recente iniciativa aqui em Nova York e também convido todos a uma reflexão sobre essa prática da “arte-instrucional”.

Confira:

Pessoalmente, tenho enorme interesse nesse tipo de produção artística e eu mesma estou avançando minha prática neste sentido já faz um tempo (desde 2006 mais precisamente).

Por isso, porque novamente o Sol LeWitt cruzou o meu caminho (ou me chamou de novo a atenção) resolvi não só dar uma aula sobre ele aqui:

… mas também, finalmente elaborar um trabalho que tem tudo a ver com a Uncool Artist, a partir da carta dele pra Eva Hesse, assim:

Explico melhor e tiro eventuais dúvidas no primeiro vídeo mencionado acima.

*Falo da parte da minha pesquisa artística mais recente que envolve os projetos “Desejo Motivo“, “Meu Canto“, “Fica, vai ter bolo!” e “It Paintings“.

arte-instrucional