Não é nada recente a presença de peso de vídeos e vídeo-instalações nos eventos internacionais de arte. Se a pintura ainda é a linguagem que impera nas feiras, a videoarte é apresentada em sua máxima glória nas bienais, trienais, documentas e demais eventos de caráter mais “crítico, curatorial e de pesquisa”.

Veja bem! Isso não significa pura parcialidade ou que só tem uma coisa ou outra presente nesses contextos (mercado e institucional) que nem são tão distintos assim, para falar bem a verdade. Mas há sim uma tendência por pura obviedade, eu assumo: é mais “fácil” vender pintura assim como é mais “fácil” entreter o público por dezenas de minutos em uma obra se ela for em vídeo.

Quem passa 40 minutos diante de uma pintura em uma exposição? E quem compra uma vídeo instalação para chamar de sua?

Nas duas últimas bienais que acabo de conferir (Veneza e Whitney) salvo as devidas proporções do tamanho de cada uma delas, lá está o vídeo em sua glória.

Neste vídeo faço um bom resumo dos dois eventos. Confere!

Como forma de aprofundar minha própria pesquisa em vídeo (sim! o canal da Uncool no Youtube é um laboratório) fui atrás de mais informação sobre três obras que têm um alinhavo, a meu ver, muito interessante entre si. Em comum, elas têm o fator “entretenimento” como elemento compositivo, seja como forma ou como assunto. Entretenimento-instrução, entretenimento-informação, entretenimento-musical, entretenimento-publicitário…

White Album, de Arthur Jafa, premiado com leão de ouro em Veneza, é um compilado de vídeos produzidos pelo próprio artista (que também é produtor de vídeos comerciais) costurados com vídeos que estão no Youtube, no Instagram etc. Jafa se considera um colecionador de informações sobre questões que lhe interessam. No caso desta obra a coleção é sobre racismo na cultura norte-americana. O trabalho é super sensível, emocionante e com forte conteúdo que informa “na pele” o que é o racismo nos EUA.

 

São muitas as cenas e costuras nesse vídeo (são 40 minutos que precisam ser vistos na íntegra para que se possa entender o trabalho), mas achei uma pequena parte do “material bruto” que o artista usou no arrebatador e contundente vídeo:

Outro trabalho presente na bienal de Veneza, BLKNWS de Kahlil Joseph, pupilo de Jafa, também tem o mesmo ponto de partida: vídeos produzidos pelo artista combinados com vídeos que estão na internet (um trabalho de pesquisa, compilação e apropriação à moda “pós-produção” de Bourriaud).

Neste caso, os vídeos são combinados em duplas monitores (conforme a foto abaixo). Parte desses vídeos estão em uma playlist também disponível no Youtube.

É interessante de assistir mesmo nesse formato de lista. Este é um trabalho mais “leve”, sem deixar de ser poderoso, sobre identidade e cultura negra norte-americana.

Aqui a playlist. É só dar play.

Já na Bienal do Whitney uma artista mulher, Ilana Harris-Babou, apresenta três vídeos, em monitores nada gigantescos e ligados a fones de ouvido (pra te obrigar a imersão já que não há uma sala para o trabalho da artista) rodam três vídeos diferentes. Todos com uma linguagem de publicidade de resort de luxo ou documentário etnográfico ou histórico…

E achei um deles inteirinho no Youtube também!

Aproveita pra assistir já, antes que saia do ar. Nunca se sabe…

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