Imagem clássica do studio do Francis Bacon

Esta semana, eu estava atendendo uma artista no acompanhamento individual e a conversa tocou num ponto bem interessante: a minha capacidade síntese na resposta à questão:

Afinal, Carol, há pelo menos um ponto em comum entre os artistas que são bem sucedidos no campo da arte (independente de fazerem parte do Olimpo ou não)?

Cara… Eu não sou dada a regras. Acho tudo muiiiiito relativo, mas acabei chegando à conclusão de que tem sim UM fator que vejo em tod@ artista que tem uma obra de peso. Você sabe do que estou falando? Sabe aquele tipo de obra que você bate o olho, independente se gosta ou não gosta, e reconhece que ali tem algo muito importante acontecendo? Como se a coisa emanasse um campo de força que te empurra ou te puxa pra ele? A tal a “potência” do trabalho artístico?

Então…

Preciso admitir que em todas essas obras uma coisa sempre ficou clara pra mim: a intensidade da energia d@ artista dedicada à obra. Sabe quando a gente vê no trabalho que @ artista se jogou por inteiro nele?

Então, pra “ser um sucesso” (considerando que sucesso é chegar na produção de algo potente, não necessariamente ganhar rios de dinheiro) é fundamental realizar um trabalho intenso, volumoso, profundo, denso, com entrega, sem medo. Um jogar-se sem pensar em voltar, sem negociações demasiadas, sem se poupar.

Não tem mágica! E há toda uma história da arte e inúmeras exposições acontecendo agora que comprovam que esse é o fator X definitivo.

Você pode até ser um sucesso comercial, por um tempo, até dar aquele salto em alguma fase da carreira, mas se não houver esse mergulho, certeza que não ficará nesse lugar por muito tempo (ou fica em um outro lugar que não da arte contemporânea – não confunda tais lugares).

E isso é tão claro que dá até pra ver quem dá pouco, quem dá médio e quem dá tudo pro trabalho.

Há aí uma postura/atitude, definição de prioridades e musculatura/prática que se conquista com tempo de entrega também à experimentação, ao exercício.

Eu ainda me considero uma artista ainda de “média intensidade” (auto exigente?) mas estou intensamente entregue à prática, à investigação. Estou perseguindo esse “estado de produção intensa” sem desculpas esparrafadas do tipo “tô sem tempo”, “tô doente”, “tô sem dinheiro”, “tô sem energia”, “tô sem inspiração”…

E você, se existisse um medidor de intensidade de potência de produção artística, o que marcaria teu ponteiro?

 

tenso?!